Saúde Transplante
Adolescente comemora seis anos de transplante de coração: 'eu amo você, meu doador'
Ao todo, 5.949 pacientes aguardam pela doação de algum órgão em todo o estado de Minas Gerais.
22/08/2023 08h43 Atualizada há 2 anos
Por: Samuel Fonte: g1.globo
Maria Alice recebeu um coração transplantado há 6 anos — Foto: Arquivo pessoal

Minas Gerais tem 22 pessoas na fila de transplante de coração, segundo dados do MG Transplantes, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais. Ao todo, são 5.949 pacientes aguardando pela doação de algum órgão em todo o estado.

Em Belo Horizonte, a família da estudante Maria Alice esperou durante cerca de um ano por um doador compatível.

A garota nasceu com uma condição genética chamada miocardiopatia restritiva e na busca por um tratamento efetivo, os pais foram informados pela equipe médica que apenas um transplante de coração poderia salvar a vida de Maria Alice.

"Quando ela tinha cinco anos, fomos para a cidade de São Paulo para entrar na fila de transplante, já que lá era o único local na época que teríamos maior possibilidade", contou a mãe de Maria, Tatiana Figueiredo.

Adaptação

Depois de passar pela cirurgia, a família retornou para casa, na capital mineira, e começou uma nova rotina pensada nos cuidados do pós-transplante.

A mãe conta que o processo mais difícil foi encontrar um equilíbrio na readequação das atividades do dia a dia para que o corpo da filha não rejeitasse o novo coração.

"O primeiro ano [do transplante] foi muito doloroso, ela teve um linfoma por causa dos medicamentos, que são muito fortes. Mas depois a gente foi percebendo que o corpo dela foi se acostumando", relembrou.

Hoje, Maria vive uma vida normal e segue no uso da medicação que ajuda o organismo a aceitar o órgão doado.

'Eu amo você, meu doador'

Em junho desse ano, Maria Alice publicou nas redes sociais uma carta aberta ao seu doador. No texto, ela fala que jamais vai esquecer do gesto que salvou sua vida.

Leia abaixo:

"Sou tão grata por você, eu nunca te vi pessoalmente mas sei que no momento que você esteve aqui na terra só existia bondade em seu coração. Eu sempre me perguntava o que te falaria se pudesse te encontrar e eu falaria que você tinha uma bondade que ninguém conseguiria explicar, nem eu. E eu sei disso pelas minhas atitudes depois de ter recebido seu coração, meu jeito de ver a vida mudou completamente e você fez parte disso, meu respeito ao próximo e tudo que eu tenho de bom em meu ❤️ é graças a você e mesmo que você já tenha partido eu nunca vou me esquecer de ti . Eu não tenho palavras que agradeçam o quanto você foi e ainda é importante no mundo ! Fiquei muito emocionada em ver como você era e eu pensei que seria impossível ver quem me ajuda a viver, e finalmente esse dia chegou, eu amo você, meu doador", disse Maria Alice.

A mãe reforça a importância da doação de órgãos e dos familiares comunicarem sobre o assunto. No Brasil, a doação de órgãos (coração, pulmões, rins, fígado e pâncreas) somente é feita após a constatação da morte encefálica do doador, seguida da autorização familiar para extração dos órgãos.

"Precisamos falar sobre doação de órgãos. A negativa vem muito da ignorância sobre a doação. Quanto mais a gente falar, divulgar e explicar, mais pessoas vão entender o que é a doação de órgãos", afirmou.

A mãe reconhece que a espera pode ser angustiante, mas que quanto mais as famílias falarem sobre o assunto, mais rápido será o processo.

"Essas pessoas precisam ter fé e perseverança. Tudo passa, o momento de espera também", disse.