A jovem Raíssa Nunes, acusada de matar Ariane Bárbara, confessou o crime e pediu perdão à mãe da vítima durante júri popular do caso, em Goiânia (assista vídeo acima). Raíssa e Jeferson Cavalcante são julgados nesta terça-feira (29).
O interrogatório de Raíssa começou logo após a finalização dos depoimentos das testemunhas, que falaram até o início da tarde desta terça-feira (29). Antes de começar sua fala, a defesa de Raíssa afirmou ao juiz que a ré permaneceria em silêncio, mas a acusada disse que queria falar e começou a ser interrogada.
Segundo Raíssa, no dia do crime, ela e a menor estavam sentadas dentro do carro ao lado de Ariane, Jeferson estava dirigindo e Freya no banco da frente. Quando tocou a música que elas escolheram como o “momento para o crime”, Raíssa disse que começou a enforcar Ariane.
“Ela começou a perguntar o que eu tava fazendo e a [menor] perguntou o que eu tava fazendo. Eu pensei que não tava agradando ela. Aí eu fui pro banco da frente. A Freya passou para o banco de trás e começou a enfocar a Ariane”, disse.
Em seguida, a menor teria chamado Raissa para o banco de trás e mandou que ela esfaqueasse a vítima. “Fui eu quem dei a primeira facada, que foi no peito, ela tava ainda acordada”, completou.
Depois, as acusadas teriam jogado Ariane no porta-malas, ainda com o carro em movimento, porque a “tampa” já havia sido retirada. O celular da vítima foi destruído pela menor e jogado pela janela, segundo Raissa.
“A [menor] falou: Jeferson, Freya, eu tô muito orgulhosa de vocês, mas Raissa, eu tô decepcionada com você porque você não matou ela”, disse Raissa.
Após o crime, os acusados saíram para lanchar em um shopping. Raissa disse que Jeferson pagou o lanche.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), Raissa, Jefersson e Enzo teriam conhecido Ariane em uma pista de skate pública. O órgão explica que o trio atraiu a jovem dizendo que eles iam lanchar e depois, mediante violência física e golpes de faca, a mataram. O crime aconteceu no dia 24 de agosto de 2021, por volta das 21 horas, no interior de um veículo. Narra a denúncia que, com o veículo em movimento, Raissa tentou estrangular Ariane, mas a força empregada não foi suficiente.
A morte de Ariane Bárbara Laureano de Oliveira, que tinha 18 anos na época do crime, chocou moradores de Goiânia e mobilizou uma força-tarefa da Polícia Civil para resolver o caso. A estudante ficou sete dias desaparecida até ter o corpo encontrado em uma mata de um bairro de classe alta da capital. No fim, a polícia descobriu que três amigos e uma adolescente planejaram a morte, que seguiu uma espécie de ritual dentro do carro onde foi levada.
O objetivo do crime era descobrir se Raíssa Nunes Borges, uma das amigas, era psicopata. Para isso, ela tinha que matar uma pessoa para avaliar a própria reação após o assassinato. Ariane Bárbara foi escolhida pelos amigos por ser pequena e magra. Assim, se ela reagisse, os três conseguiriam segurá-la com mais facilidade, segundo a polícia.
• Enzo Jacomini Carneiro (Freya): apontado como autor das facadas em Ariane dentro do carro;
• Jeferson Cavalcante Rodrigues: usou o próprio carro para levar o grupo no passeio e depois jogar o corpo numa mata;
• Raissa Nunes Borges: a polícia disse que ela queria saber se era psicopata. Também é apontada como autora de facadas.
Uma adolescente foi apreendida à época do assassinato, mas o processo corre em segredo de justiça. Por isso, a reportagem não conseguiu informações sobre