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CSN assina cheque de R$ 5,2 bilhões e finaliza compra da cimenteira LafargeHolcim no Brasil
As compras da Cimento Elizabeth e da LafargeHolcim elevam a CSN ao posto de segundo maior produtor de cimento do país, ficando atrás apenas da Votorantim Cimentos
19/09/2022 13h09 Atualizada há 3 anos
Por: Samuel Fonte: Jornal Observador

O grupo suíço Holcim completou a venda de suas atividades no Brasil para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) por US$ 1,025 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões, segundo a atual cotação do dólar), anunciou a empresa nesta quarta-feira. 

A transação foi finalizada depois de receber a aprovação das autoridades brasileiras (como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica - Cade), afirmou a Holcim em um comunicado ao mercado.

A negociação inclui cinco fábricas de cimento integradas, quatro estações de moagem, entre outras unidades. Uma das unidades está localizada na cidade mineira de Barroso, no Campo das Vertentes. 

O grupo de materiais de construção, criado após a fusão em 2015 com a francesa Lafarge, anunciou a venda em setembro de 2021, quando acabara de concluir a compra da Firestone Building Products, filial americana do grupo japonês Bridgestone Corporation, por US$ 3,4 bilhões.

A venda de suas atividades no Brasil deverá permitir a Holcim reduzir consideravelmente a sua dívida com o objetivo de conservar a flexibilidade necessária para aproveitar outras oportunidades de crescimento, afirmou a empresa no ano passado. 

Desde então, o grupo criou uma nova divisão depois de ampliar as aquisições em produtos de isolamento, revestimento de fachadas e coberturas. A unidade mineira da Holcim em Barroso tem cerca de 500 funcionários diretos, segundo últimos levantamentos da reportagem.  

A Lafarge Holcim emprega cerca de 90 mil funcionários em mais de 80 países. No Brasil, atua nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. Com a compra, a CSN passa a ser a segunda maior cimenteira do Brasil, elevando a capacidade de produção para 16 milhões de toneladas anuais – atrás apenas da Votorantim.

O processo de aquisição da Lafarge pela CSN Cimentos teve início em 10 de setembro do ano passado. Vai adicionar uma capacidade produtiva de 10,3 milhões de toneladas por ano, por meio de plantas de cimentos e de substanciais reservas de calcário de alta qualidade e unidades de concreto e agregados.

São esperadas relevantes sinergias operacionais, logísticas, de gestão e comerciais, em linha com a estratégia de crescimento do negócio de cimento da companhia. A CSN informou que irá manter acionistas e mercado em geral devidamente informados a respeito do fechamento da operação.

A negociação inclui cinco fábricas de cimento integradas, quatro estações de moagem, entre outras unidades

 

CSN vira 3ª maior do mercado de cimentos após compra de negócios da Holcim

Após a Holcim informar que concordou em vender seus negócios de cimento no Brasil para CSN, a empresa comandada por Benjamin Steinbruch subiu de patamar em mais um nicho de mercado.

Com operações consolidadas em siderurgia e mineração, a companhia agora deve figurar entre os três maiores produtores de cimento do país. O investimento foi de cerca de US$ 1,025 bilhão.

Com o fechamento da operação, a CSN Cimentos passará a ter uma capacidade total de 16,3 milhões de toneladas ao ano e “presença cada vez mais abrangente no território nacional como um produtor relevante e de baixo custo”.

“A aquisição é neutra em termos de crédito para a CSN e não tem impacto em seus ratings porque as necessidades de caixa para financiar a transação não prejudicarão a liquidez atualmente sólida da empresa”, diz a vice-presidente da Moody’s, Carolina Chimentie.

“Além disso, a capacidade adicional de 10,3 milhões de toneladas no segmento de cimento ajudará a diversificar ainda mais o fluxo de caixa da CSN”, disse.

Com o fechamento do negócio, a CSN Cimentos passará a ter uma capacidade total de 16,3 milhões de toneladas ao ano. Dados de 2017 da Cimento.org colocavam a Votorantim no topo do ranking, com 34,8 toneladas ao ano, e a InterCement em segundo, com 15,9 t. A Nassau, próxima da tabela, produzia 8,4 t.

“A empresa está adquirindo terceira maior empresa de cimentos no Brasil e tomando porte importante. Vejo isso como positivo para quando a janela se abrir para o IPO da empresa”, diz Pedro Galdi, analista da Mirae Asset.

“Uma aquisição estratégia importante em um momento em que a CSN melhorou substancialmente sua estrutura de capital com os recursos originados da abertura de capital da CSN Mineração.”