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Pai inconformado com a morte da filha que faria retirada de Diu em Matozinhos

Jéssica Marques Vieira, de 32, morreu no último sábado (4) durante procedimento para a retirada de um dispositivo intrauterino (DIU) na clínica Med Center, em Matozinhos. O pai da vítima, Lino Antônio Vieira, reclama da falta de informações sobre a morte da filha.

10/11/2023 às 11h18 Atualizada em 10/11/2023 às 11h34
Por: Samuel Fonte: OBSERVADOR
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Créditos: Reprodução
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O aposentado Lino Antônio Vieira, de 64 anos, pai de Jéssica Marques Vieira, de 32, que morreu no último sábado (4) durante procedimento para a retirada de um dispositivo intrauterino (DIU) na clínica Med Center, em Matozinhos, não se conforma com as circunstâncias da morte da sua filha.
Lino disse que Jéssica era paciente do cardiologista Roberto Márcio Martins de Oliveira, desde 2011, porque nasceu com sopro no coração, e ele quem faria a retirada do contraceptivo. "Eu e meu genro que levamos ela lá, ficamos das 7h até as 11h. Ele tinha matado minha filha, retirou ela para a UPA de Matozinhos. Só lá que eu tomei conhecimento da morte. Eu quero justiça, aquele homem matou minha filha e ele tem que pagar por isso. O que eu estou passando, não desejo pra nenhum pai, pra nenhum familiar", disse Lino.

De acordo com o boletim de ocorrência (BO) registrado por Vieira na Polícia Militar (PM), o procedimento começou às 7h e às 9h30 ele e o genro, Elvis Fernandes dos Santos, não tinham recebido nenhuma notícia da paciente, o que levou a suspeitar que havia algo de errado.
O documento policial relata que a recepcionista da clínica passou com duas bolsas de soro em direção ao consultório, retornou assustada e dispensou os demais pacientes que aguardavam atendimento. Questionada, ela alegou que "não sabia de nada".
Algum tempo depois, funcionários da unidade de pronto atendimento (UPA) de Matozinhos chegaram à clínica com um desfibrilador e Jéssica foi levada para a UPA.
O pai de Jéssica contou à polícia que, quando os profissionais da saúde passaram com a filha dele pelo corredor para colocá-la na ambulância, ele percebeu que ela estava mais pálida que o normal e com os lábios bem roxos. Nesse momento, segundo o pai, ele viu que a filha já estava morta.
Lino procurou a clínica Med Center para pedir esclarecimentos sobre a morte de Jéssica, mas não teve resposta. O corpo dela foi enterrado no domingo (5). “No momento, nós ainda não tivemos acesso ao inquérito, não sabemos maiores (sic) informações. A única coisa que podemos adiantar é que o médico já se colocou à disposição da Justiça, já está à disposição do delegado. Ele quer prestar os esclarecimentos dele, os documentos que forem solicitados ele vai apresentar no momento adequado e, por ora, é aguardar o resultado do IML", disse o advogado Matheus Oliveira Araújo, que representa a clínica Med Center de Matozinhos e o médico Roberto Márcio Martins de Oliveira.

A Prefeitura de Matozinhos informou, em nota, que profissionais da UPA seguiram para o local e transferiram a paciente para a unidade de urgência e emergência. Eles realizaram procedimentos de reanimação cardiopulmonar, mas sem sucesso.
Completou informando que a situação da clínica é regular, mas que não possui permissão para operar procedimentos ginecológicos.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) informou "que apura todas as denúncias recebidas, formais ou de ofício, por meio da abertura de procedimento administrativo para apuração dos fatos, tendo o médico amplo direito de defesa e ao contraditório, conforme previsto no Código de Processo Ético-Profissional (CPEP).
 Ainda conforme o CPEP todo o procedimento corre sob sigilo".
A entidade esclareceu ainda que "médicos registrados nos CRMs estão autorizados a realizar os procedimentos que entenderem necessários aos pacientes, mas não podem anunciar-se como especialistas caso não tenham a especialidade registrada no CRM de sua jurisdição, ficando sujeito às penalidades aplicáveis".
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) disse que a colocação e a retirada do DIU devem ser feitas exclusivamente por médicos, para priorizar a segurança e a qualidade da assistência à saúde das mulheres.

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