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Um destino trágico (Uma história real)

Jamais ela poderia imaginar que ali daria o primeiro passo rumo ao seu calvário.

18/11/2022 às 09h10
Por: Samuel Fonte: Dr. Henrique Alves
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Jesus e a mulher adúltera (Imagem: Folha Metropolitana)

 

Um acontecimento inesperado pode abrir um abismo sob os nossos pés e transformar uma vida feliz num vaso de lágrimas. Foi o que ocorreu por volta de 1949.

Juvenal* fora criado na Fazenda do Itaguaçu, município de Miraí, e herdara do seu pai a intransigência com princípios morais. Era um homem alto e moreno, braços longos e fortes. Preocupado com o trabalho, raramente se via em suas faces qualquer expressão de graça. Casou-se com Maria das Dores, moça bonita, pele clara, de descendência italiana. Dessa união, nasceram Carlos Augusto, nome em homenagem ao seu avô paterno, e Ester Maria, em honra de sua avó materna.

O trabalho na lavoura envolvia muito sacrifício, e ele não desejava isso para os seus filhos. Decidiu então mudar-se com a família para a cidade, onde os seus filhos poderiam conseguir um emprego. Nesse tempo, Carlos Augusto contava com 19 anos e Ester Maria, com 18 anos. Embora pobre, a família vivia feliz.

Já na cidade, Carlos Augusto encontrou logo emprego numa casa comercial.

Ester Maria era uma moça linda, de uma beleza natural; pele moreno-clara, combinação genética dos seus pais; devia ter 1,80 de altura, as faces levemente rosadas e os seus olhos eram azul-claros; os seus cabelos castanho-claros e lisos cobriam-lhe parcialmente os ombros; o seu sorriso encantador revelava dentes simetricamente perfeitos e brancos; a sua voz era de uma maciez melíflua; tudo nela era encantador, e seria capaz de rivalizar com Afrodite, a divindade do amor, da beleza e do desejo que a imaginação dos antigos gregos criou. Só lhe faltava a malícia, mas essa índole a natureza põe apenas no berço de algumas mulheres.

Ela foi trabalhar numa casa de família como doméstica, enquanto não conseguisse um emprego melhor. Jamais ela poderia imaginar que ali daria o primeiro passo rumo ao seu calvário.

Logo no primeiro dia, ela despertou em seu patrão, os mais primitivos instintos bestiais. Sabendo que a sua mulher costuma sair às tardes, enquanto os filhos estivessem na escola, ele deixava os seus afazeres e ia a casa para assediar a inocente moça. Ela, a princípio, repudiou a ideia e resistiu à tentação. Mas ele não era homem de desistir dos seus propósitos egoísticos.

Naquele tempo, ela não tinha onde buscar ajuda. Recorrer a uma autoridade para denunciar o assédio sexual era inviável; os ricos eram inatingíveis e ninguém acreditaria nela. Hoje os tempos são outros!

O assédio não tinha fim! Ali estava uma cordeira diante de um lobo! Ela acabou por ceder, e o fato se tornou repetitivo.

Dias depois, como de hábito, o canalha foi a casa para desafogar a sua lascívia. Ocorreu que a sua mulher retornou antes da hora costumeira, e se deu o flagrante. Ela, mulher de pouca decência, provocou grande escândalo, pondo a moça para fora da casa aos gritos de vagabunda e outros impropérios difamantes. Formou-se uma aglomeração de curiosos na rua, e muitos, sem piedade, se divertiam com aquela cena grotesca. Em pouco tempo, o assunto já corria como rastilho pela cidade.

A pobre moça só poderia encontrar abrigo em sua família; porém, o seu pai a expulsou de casa, pois a perda da virgindade, antes do casamento, era uma desonra, situação mais grave e imperdoável se ocorresse com homem casado. Era o código de honra que vigorava. A mãe de Ester nada pôde fazer, porque mulher não tinha voz naqueles tempos.

O pior, porém estava para ocorrer. A desventurada moça, não tendo para onde ir, sentou-se num banco de praça e com as faces entre as mãos esvaía-se em lágrimas, enquanto ouvia pilhérias de alguns que passavam por ali.

O delegado de polícia, vendo aquela situação, determinou que ela fosse para o prostíbulo, cuja dona gozava de prestígio na cidade. Lá chegando, a moça foi logo advertida pela cafetina de que ali todos os clientes teriam que ser recebidos com um sorriso. Conta-se que jamais houve tanta concorrência àquele bordel como naquele dia.

Pouco depois, aconselhada por uma prostituta experiente, a infeliz moça foi para outra cidade e nunca mais se ouviu notícias dela.

Certa vez, escribas e fariseus levaram à presença de Jesus uma mulher apanhada em adultério e esperavam que fosse determinado o apedrejamento dela, como era costume entre os judeus. Jesus, porém, levantando a cabeça, disse: “Quem dentre vós estiver sem pecado atire sobre ela a primeira pedra.” Os que ouviram isso saíram um a um. Então, Jesus perguntou: “Mulher, onde estão os que te acusavam?” (...) “Nem eu também te condeno. Vai e não peques mais” (João, 8:1-8).

Ester Maria não teve a mesma sorte; ela foi julgada pelos homens

 

* Todos os nomes aqui citados são fictícios.

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