18°C 25°C
Pedro Leopoldo, MG

Especialistas do Hospital João XXIII alertam sobre riscos de mergulhos em águas rasas

Jovens do sexo masculino predominam entre as vítimas de traumas raquimedulares em acidentes que podem deixar sequelas permanentes

20/02/2026 às 15h12
Por: Artur Valério Fonte: Secom Minas Gerais
Compartilhe:
Freepik
Freepik

Acidentes em águas rasas continuam sendo uma das principais causas de traumatismo na coluna durante o lazer em rios, lagoas, cachoeiras e piscinas. O Hospital João XXIII (HJXXIII), da Rede Fhemig , recebe, todos os anos, pacientes vítimas de ocorrências deste tipo, com lesões potencialmente irreversíveis.

Segundo o gerente médico do Complexo Hospitalar de Urgência, do qual o HJXXIII faz parte, Rodrigo Muzzi, as equipes da unidade lidam com casos que vão desde traumatismos cranianos até fraturas na coluna cervical, que podem comprometer a medula e provocar perda de movimentos, da respiração e outras sequelas permanentes, como paraplegia e tetraplegia.

“O risco é real e, muitas vezes, subestimado. Em Minas Gerais, a turbidez das águas naturais, causada pelo minério de ferro na terra, pode impedir a visualização do fundo e aumentar o perigo de choque contra pedras ou estruturas submersas”, orienta o profissional.

A principal recomendação é nunca mergulhar de cabeça em locais cuja profundidade não seja conhecida e evitar saltos em águas naturais, especialmente quando há ingestão de álcool, que reduz a percepção de risco e a coordenação motora.

Levantamento mostra que 80% dos pacientes do HJXXIII com lesões raquimedulares são homens jovens, metade dos quais tem, no máximo, 29 anos, o que ainda representa uma maior tendência masculina a comportamentos de risco e se reflete nos atendimentos de trauma.

O empresário de Almenara, Dielson Soares.Arquivo Pessoal
O empresário de Almenara, Dielson Soares.Arquivo Pessoal



Virada após o trauma

O que seria apenas mais um domingo de descanso em família, às margens de um rio próximo de casa em Almenara, no Norte de Minas Gerais, transformou-se em uma cena de tensão. O empresário Dielson Soares, de 33 anos, mergulhou de cabeça no local e, com a demora para voltar à superfície, a família entendeu que algo grave havia ocorrido.

“Conseguimos retirá-lo da água e levamos para uma cidade vizinha, onde ele foi imobilizado e recebeu o primeiro atendimento médico. Foi lá que ele acordou e disse que não estava sentindo mais os membros”, relembra Miranilde Porto, esposa de Dielson. Ele havia batido a cabeça em um banco de areia no fundo do rio. Horas depois, após a realização de um exame de raio-X, o diagnóstico foi realizado: uma lesão na coluna cervical.

No HJXXIII, para onde foi encaminhado, foi realizada com urgência uma cirurgia de correção da coluna. Segundo um dos médicos que participaram do atendimento, o ortopedista Thiago Abdalla, Dielson teve uma fratura cervical ao nível de C4-C5, que é considerada uma lesão grave.

“Três meses depois, ele compareceu ao ambulatório caminhando sem auxílio de muletas ou bengala, com uma considerável melhora de força nos braços e nas pernas”, conta o médico.

Thiago explica que a recuperação rápida depende de vários fatores, como idade, número de vértebras acometidas, desvio inicial da lesão e o tempo transcorrido até a operação. “Esperamos melhora neurológica, principalmente, nos dois primeiros anos e, após esse período, as chances de recuperação diminuem. A de Dielson foi mais veloz que a da média”, analisa Thiago.

O que fazer?

Em caso de acidente, o resgate da vítima deve ser feito com extremo cuidado. “O ideal é manter a cabeça e o pescoço alinhados, após a retirada da pessoa da água, ela pode se afogar em uma situação como essa, e acionar imediatamente o socorro especializado. A rapidez no atendimento e a forma correta de retirada da vítima podem ser decisivas para evitar sequelas mais graves”, finaliza Muzzi.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias